Em continuidade a nossa conversa sobre Compliance, é importante compreendermos os elementos e rotinas que integram qualquer Programa de Compliance.

Dos conceitos trazidos anteriormente, é possível deduzir então que o Programa de Compliance consiste em um sistema de prevenção de eventos que possam trazer impactos para o dia-a-dia da empresa, por meio da construção de um ambiente profissional pautado no bem-estar de todos e, acima de tudo, íntegro, sempre atuando de modo transparente e de acordo com a legislação e normas internas de ética e conduta.

Em nosso último texto, explicamos que a Tucumann possui uma Política de Conduta e Ética com a descrição de várias situações e procedimentos enfrentados no dia a dia e destacamos a importância de cada colaborador fazer amplo uso da Política de Conduta e Ética em qualquer situação que julgar necessária. 

Mas como estruturamos um Programa de Compliance? Como parte do programa, um dos temas mais sensíveis para a gestão é a avaliação de riscos relativos a toda atividade empresarial, especialmente aqueles relacionados à contratação de fornecedores, funcionários, clientes e parceiros. 

Especificadamente quanto aos nossos colaboradores – nossos funcionários, diretores e todos os demais terceirizados que contribuem para o sucesso empresarial da Tucumann -, é necessário destacar que quanto maior a responsabilidade e autonomia funcionais, mais detalhada deve ser esta análise de riscos, que consiste em levantamento de fatos pertinentes à vida profissional e pessoal do colaborador.

O objetivo de tal rotina, que em Compliance chamamos de background checking, é identificar possíveis problemas de conduta e potenciais conflitos de interesse na atuação de cada colaborador. Ou seja, como prevenção de riscos, Programa de Compliance busca antecipar problemas e evitar seus impactos na gestão de processos críticos da empresa.

Um bom exemplo de potencial conflito de interesse seria a contratação de profissional com participação em empresas concorrentes para cargos estratégicos, uma vez que eventual tomada de decisão empresarial pode ser contaminada por interesses empresariais oriundos de outras funções. A mesma lógica se aplica nas indicações de colaboradores com conexões de primeiro grau, como parentes e amigos íntimos.

Para tanto, o background checking, atividade fundamental e obrigatória em qualquer Programa de Compliance, prevê controles sobre seleção e contratação de colaboradores que representarão a empresa e tomarão decisões em seu nome, por meio da verificação de informações sobre seu passado profissional e pessoal que possam apontar para (i) potencial conflito de interesse profissional ou pessoal, ou ainda (ii) episódios de potencial envolvimento em problemas integridade empresarial (fraudes, lavagem de dinheiro, corrupção, improbidade etc.). 

Qualquer empresa íntegra e que busca uma atuação sólida no mercado, como a Tucumann, deve demonstrar que gerencia adequadamente o risco decorrente de relacionamentos com funcionários, fornecedores e parceiros não apenas por exigência regulatória, mas pela necessidade de demonstrar transparência na gestão de seus negócios, evidenciando foco em boa governança e previsibilidade de resultados.