Confira os detalhes da palestra de Daniela Canali, da WEG, Luiz Villaça, da TUCUMANN, e Luciano Oliveira, da VALE.

Entre os dias 18 e 21 de outubro, foi realizado o 64º Congresso Brasileiro do Concreto na cidade de Florianópolis, Santa Catarina. O evento reuniu uma variedade de artigos técnicos que abordaram o concreto e seus sistemas construtivos. O tema central do congresso foi “Concretizando a Inovação e a Sustentabilidade”.

Reconhecendo a relevância desses encontros para estimular a pesquisa e a troca de conhecimentos entre estudiosos e especialistas na área, que se reúnem anualmente nesse que é considerado o maior conglomerado técnico-científico do país, a Votorantim Cimentos organizou, em 19 de outubro, o IV Seminário de Infraestrutura – “Caminhos para o Desenvolvimento de um Brasil Sustentável”. O evento foi coordenado por Hugo Armelin, diretor de vendas da Votorantim Cimentos e assessor da comissão organizadora.

Além disso, o seminário contou com a participação de renomadas empresas do setor da construção civil, como CBT, WEG, DER/PR, Arteris, Tucumann, Nint Group, Vale, ANTT e Dynatest. O evento foi estruturado em quatro blocos, com palestras e discussões em mesa redonda, proporcionando um ambiente rico em trocas de experiências e conhecimentos.

Falamos sobre o bloco 1 neste artigo. Abaixo você confere como foi o bloco 2 do evento.

Acompanhe o que foi abordado no segundo bloco

O tema do bloco foi “Infraestrutura Brasil: Energia, Portos e Ferrovias”, em que os palestrantes Daniela Canali, da WEG, Luiz Gustavo Villaça, da Tucumann, e Luciano Oliveira, da Vale, trouxeram os principais insights de grandes obras de logística e energia limpa em execução no Brasil. A mesa redonda desse bloco foi mediada por Lidiane Blank.

Nessa seção do 64º Congresso Brasileiro do Concreto 2023, o foco está na infraestrutura, com esses três segmentos-chave discutidos, cada um com um sólido pipeline de projetos futuros. O primeiro segmento é o de energia, representado por Daniela Canali, da WEG, que abordou sobre torres de concreto para parques eólicos e inovações: do projeto à montagem.

O segundo segmento, representado por Luiz Villaça, da Tucumann, abordou os portos brasileiros, com destaque para as metodologias de cravação de estacas aplicadas a obras portuárias, incluindo uma análise detalhada do caso da obra TCO – Paranaguá.

Por fim, o terceiro segmento foi apresentado por Luciano Oliveira, engenheiro ferroviário na diretoria de ferrovias, portos e náutica da VALE, discutindo sobre o futuro das ferrovias sustentáveis, além de abordar as oportunidades, desafios e inovações.

1° segmento: WEG — parques eólicos e inovações

Inovações relacionadas com as torres de concreto para parques eólicos foram abordadas por Daniela. Pós-graduada em engenharia civil, com ênfase em gerenciamento de projetos, trabalha há 13 anos na implementação de parques eólicos na WEG Equipamentos, concentrando-se especificamente na fabricação e montagem de torres de concreto.

Nesse contexto, Daniela destacou os avanços da WEG no setor de energia eólica, especialmente no âmbito da produção de aerogeradores, além de correlacionar os principais avanços com torres de concreto. O primeiro foi o AGW 2.1MW – 110, que possui 120 metros de concreto, e já foram instaladas 285 unidades no país.

O segundo modelo, atualmente presente na WEG, é o AGW 4.2MW – 147. A torre de concreto possui 125 metros, e, recentemente, já foram instaladas 94 unidades, com mais 115 em execução até o final de 2024.

Para o futuro, com previsão de lançamento até o fim desse mesmo ano, destaca-se o modelo AGW 7.xMW – 172, que apresenta uma torre de concreto com 134 metros de altura. Adicionalmente, foram apresentadas as principais etapas para a instalação desses componentes, explicando as três principais fases de implantação: projeto, fabricação e montagem.

Daniela detalhou como a WEG atua nesse cenário, com gestão ativa e técnica, desde a análise de mercado até os alinhamentos para os tipos de aerogeradores, custos e escolha do projetista para fabricação.

Ao concluir, ela enfatizou a importância da administração adequada do cliente na etapa de montagem de um parque eólico, que envolve coordenar estratégias de produção, qualidade e instalação, além de lidar com a imprevisibilidade das condições do vento e ajustar as configurações das máquinas.

2° segmento: Tucumann — o avanço dos portos brasileiros

Dando continuidade ao IV Seminário de Infraestrutura, o segundo segmento abordou os portos e a metodologia de cravação de estacas aplicada a obras portuárias, no qual ressaltou o case da obra TCP – Paranaguá, apresentado por Luiz Gustavo Villaça, supervisor de Obras Portuárias da Tucumann.

Na abordagem inicial, Gustavo destaca as conquistas da Tucumann, começando pelo terminal de contêineres de Paranaguá, com o qual estão envolvidos desde sua criação em 1998, apresentando o projeto TCP, no qual enfatiza a metodologia de cravação de estacas.

O projeto, localizado no leste de Paranaguá, na saída para a Bahia, inclui a ampliação de um cais de tração de cargas de 220 metros de altura por 50 metros de largura, com 4 dolfins adjacentes para operações de navios do tipo ro-ro, e a construção de um pátio avançado de armazenamento de contêineres de 500 metros por 320 metros, com 50 módulos (50 m x 60 m).

O objetivo era melhorar as operações do terminal e aumentar a capacidade de movimentação de TEUs em 1,5 a 2 milhões de toneladas por ano. A duração original do contrato era de 24 meses, mas foi negociada para ser concluída em 21 meses, o que trouxe desafios e demandou estratégias para gerenciar custos significativos.

Gustavo detalhou os principais aspectos desse processo, como a fundação de estacas metálicas cravadas (verticais e inclinadas), o sistema estrutural civil, grelha de vigas e lajes pré-moldadas. Ele também compartilhou que, apesar dos diversos desafios impostos pelos diferentes tipos de concreto e pelas condições climáticas adversas, a Votorantim Cimentos foi crucial para fornecer insumos críticos de cimento para o projeto.

3° segmento: Vale — o futuro das ferrovias sustentáveis

No encerramento do bloco, foi abordado o futuro das ferrovias, um setor de infraestrutura que apresentou avanço significativo nos últimos anos. Luciano Oliveira, engenheiro ferroviário master da Vale, relatou as principais inovações no setor.

Dentre as principais inovações, destacam-se os novos projetos ferroviários para transporte de grãos e minerais de Mato Grosso para o Pará, conhecidos como Ferrogrão e Fepasa, bem como a relevância do uso de concretos especiais e dormentes em ferrovias.

Também foi mencionada a ponte ferroviária russa de 18 anos, feita de armaduras de concreto armado, que possui pilares de até 30 metros de altura e extensão de 1.200 metros, servindo como exemplo de sustentabilidade e integração comunitária.

Outro exemplo apresentado foi a Ferrovia Sudeste do Pará, construída em 2016 para conectar Carajás a um sistema ferroviário conhecido como S11D. Notável por sua integração com o meio ambiente e interrupção mínima para as comunidades, a ferrovia construiu as primeiras passagens de fauna do Brasil feitas de estruturas de concreto.

O desafio contínuo é adaptar essas estruturas para o uso da vida selvagem e prever seu comportamento no longo prazo. Luciano Oliveira também detalhou projetos em andamento de mobilidade urbana, utilizando concreto para construir passarelas e passagens subterrâneas, para minimizar interrupções e construir viadutos excepcionalmente longos e curvos em áreas urbanas.

O segundo bloco do 64º Congresso Brasileiro do Concreto foi encerrado ressaltando a importância da adoção de medidas de contingência e de um planejamento eficiente na implementação de inovações nos setores de energia, portos e ferrovias. Apesar da demanda considerável de recursos para essas infraestruturas, é incontestável o papel fundamental da utilização do concreto nessa temática, promovendo versatilidade, crucial no desempenho para a promoção de soluções seguras e sustentáveis.

FONTE: https://www.mapadaobra.com.br/negocios/iv-seminario-de-infraestrutura-confira-as-palestras-do-bloco-2/