Os grupos paranaenses Tucumann e Pattac, em associação com a espanhola Servinog, venceram licitação internacional para fazer a modernização e gestão do Terminal Portuário General San Martin, na cidade de Pisco, no Peru. Sócios no Terminal de Contêineres de Paranaguá, o TCP, eles participaram da concorrência por meio da holding Tertium Participações.

O prazo de concessão do terminal de Pisco é de 30 anos, com compromisso de investimentos que somam US$ 230 milhões para modernizar o porto. O Peru quer capacitar o acanhado terminal para receber navios de grande porte, com a intenção de atrair cargas na rota para a Ásia pelos oceanos Pacífico e Índico.

Grupo brasileiro vence licitação de terminal no Peru

Os grupos paranaenses Tucumann e Pattac, em associação com a espanhola Servinog, estão chegando ao Peru para operar e administrar um terminal de contêineres no litoral do país. Por meio do Consórcio Paracas, o grupo venceu a licitação internacional, apresentando a melhor oferta para fazer a gestão e modernização do Terminal Portuário General San Martin, que fica na cidade de Pisco, 270 km abaixo da capital Lima.

A assinatura do contrato está marcada para o dia 21, em evento no palácio presidencial peruano, com a presença do presidente da República, Ollanta Humala, e de outras autoridades do país. O diretor de relações institucionais do grupo Tucumann, Guilherme Michaelis, diz que o consórcio já forneceu todas as garantias financeiras ao negócio e que, após esse ato, estará apto a assumir o terminal no prazo de 30 dias.

Tucumann, Pattac e Servinog, que já são sócios em outros negócios no Brasil na área de infraestrutura, participaram da concorrência peruana por meio da holding Tertium Participações. A Tertium detém 90% do Consórcio Paracas e a também brasileira Fortesolo, ficou com os 10% restantes.

Os três acionistas da holding Tertium são sócios no Terminal de Contêineres de Paranaguá, o TCP, que movimenta 1,5 milhão de unidades por ano e obteve faturamento de R$ 480 milhões em 2013. Juntos, eles detêm 23% do TCP. Cinco anos atrás venderam 50% do consórcio para o fundo de private equity Advent.

O prazo de concessão do terminal de Pisco é de 30 anos, com o compromisso de investimentos que somam US$ 230 milhões para modernizar o porto. O objetivo da agência peruana Proinversión, responsável pela licitação, é tornar o acanhado terminal apto a atender a futura demanda local e internacional, podendo receber navios de águas profundas. O alvo de operações visa basicamente a rota de cargas para a Ásia via os oceanos Pacífico e Índico.

Com o terminal de Paracas, como é conhecido por estar situado na baía do mesmo nome, os vencedores da licitação, que enfrentaram a gigante Maersk, pretendem compartilhar a área de influência do Porto de Callao, que fica na região metropolitana de Lima e é o maior do país. Lá já operam grandes empresas do setor, como a APM Terminals e a DW World, de Dubai.

À frente da Tertium foi escalado o espanhol David Simon Herranz, radicado no Brasil desde 1999 e que participou da gestão do TCP, criado em 1998, tendo como um dos acionistas uma empresa de Barcelona. A holding, formada em 2012 com 33,3% de cada sócio, terá como foco negócios em infraestrutura e logística.

Atualmente, além do terminal peruano, a Tertium tem dois ativos que são transitórios. A Itajaí Biogás e Energia, usina térmica instalada em um aterro sanitário de médio porte, e a EBCF, empresa dedicada à área de conservação de florestas privadas.

Segundo Herranz, nos primeiros três anos serão investidos US$ 150 milhões no terminal de Pisco. Os recursos serão usados na compra de equipamentos e em dragagem do porto, para atingir 16 metros de calado e receber grandes navios. Hoje tem porte médio, 700 metros de cais e é operado por uma estatal peruana. Movimenta basicamente carga geral, granéis e minérios.

O executivo diz que a operação de contêineres, considerada carga nobre, vai dar novo perfil ao terminal no prazo de três anos, quando concluir seu plano de modernização. Ele informa que o consórcio entrará com 30% dos recursos e 70% virão de financiamentos de instituições como o BID (Banco Interamerricano de Desenvolvimento), Corporacíon Andina, entre outras instituições financeiras.

A expectativa de receita do terminal de Paracas, quando estiver operando com contêineres, é de US$ 100 milhões ao ano, informa Herranz. A região, onde há presença de cultura de povo incaico, é uma grande produtora agrícola para exportação (uva, aspargo, pimentão e outras culturas).

O objetivo dos três sócios, diz o executivo, é que a Tertium atue em projetos portuários em várias regiões brasileiras, além do exterior. “Já temos alguns alvos em análise no Brasil e países da América Central, como Honduras e El Salvador”, informa Herranz. A estratégia será desenvolver projetos e buscar parceiros financeiros e com expertise.

O grupo Tucumann, que tem como origem na área de engenharia e construção pesada, foi fundado em 1990 por duas famílias. A de José Maria Miller, um engenheiro que se firmou no mundo só negócios em Guarapuava e detém 87% do grupo. A outra família é a de João Glück, de origem alemã, dona dos 17% restantes.

A expansão do grupo, ao longo dos anos, centrou-se em infraestrutura portuária e aeroportuária e em obras industriais. Atualmente, além do TCP e Tertium, tem participações na concessão rodoviária Caminhos do Mar (no Paraná), em três concessões de parques (Cataratas do Iguaçú, EcoNoronha e Paineiras Corcovado), em entretenimento e turismo (projeto ÁguaRio, no Porto Maravilha), em mobilidade urbana (ETM Estacionamentos), na Via Oceânica, de Niterói, além da EBCF e Itajaí Biogás.

A divisão de engenharia e obras do grupo, no ano passado, faturou cerca de R$ 250 milhões, de acordo com diretor Guilherme Michaelis. O executivo está à frente da área institucional da Tucumann desde 2010.

FONTE: https://valor.globo.com/empresas/noticia/2014/07/14/socios-do-tcp-administrarao-porto-peruano.ghtml