O DIÁRIO conversou com Pablo Mórbis, CEO (Chief Executive Officer) e diretor presidente do Grupo Cataratas, holding com capital nacional e internacional que cuida de gestão e operação em parques e atrações turísticas no Brasil.

REDAÇÃO DO DIÁRIO

Pablo é engenheiro civil com larga experiência em implantação de parques e planos de manejo ambiental. Dois de seus últimos trabalhos foi a implantação do Econoronha, o Parque Nacional Marinho em Fernando de Noronha e o BioParque, o antigo RioZoo, no Rio de Janeiro, inaugurado no último mês de março.

Nesta entrevista ao DT, Pablo Morbis fala dos desafios (e da satisfação) que é atuar na gestão de seis parques naturais – Parque Nacional do Iguaçu, Econoronha, Paineiras Corcovado, AquaRio, Marco das 3 Fronteiras e o BioParque do Rio – e manter os princípios do grupo que vão além de oferecer entretenimento ao brasileiro e aos turistas internacionais, mas colaborar na formação de uma consciência, promovendo a educação ambiental e o turismo responsável. Abaixo a entrevista, concedida ao editor do DT, jornalista Paulo Atzingen.

DIÁRIO – o BioParque é o seu o mais novo empreendimento, fale aos leitores do DT sobre essa nova concessão.

Ganhamos a concessão do antigo RioZoo em 2018 e o inauguramos o Bioparque este ano com um novo conceito. Aquele modelo de zoológico ficou para trás. Deixa de ser um lugar de exposição de animais e passou a ser um centro de conservação da biodiversidade e bem estar, obedecendo a um tripé:  Educação, Pesquisa e Conservação.

Diversas espécies estão ali – seja para melhoria do banco genético – seja para proteger algumas em processo de extinção. Temos por exemplo um projeto de proteção aos guarás. Queremos reintroduzir o guará na Bahia da Guanabara – que não é visto lá desde 1900. Temos vários projetos acontecendo. Isso tudo faz parte desse novo conceito.

O BioParque do Rio tem a proposta de reconectar o público com a natureza (Crédito: divulgação)

DIÁRIO – Vocês têm um perfil bastante acentuado na proteção dos ecossistemas e no processo educativo dos visitantes. Isto os coloca em destaque no âmbito do empreendedorismo inclusivo e  socioambiental…

Sim, o Grupo Cataratas nasceu em 1998 a partir da concessão do parque Nacional das Cataratas em Iguaçu. A partir desse ponto o grupo foi naturalmente crescendo e percebendo a necessidade em trabalhar a sustentabilidade – o que para nós foi sempre uma palavra de ordem -, antes mesmo dela virar moda, principalmente porque estamos dentro de um parque nacional. E isto foi se incorporando ao DNA do grupo. Foram aparecendo diversos projetos. Não foi do dia para a noite as questões relacionadas à sustentabilidade. É importante destacar o ano de 2014, com a implantação do nosso projeto AquaRio. Começamos a aprender muito com esse modelo, já que entendemos que estava tudo integrado e que um aquário poderia ser a ferramenta para auxiliar na formação de uma consciência ambiental na população, nos visitantes, nos turistas. Recebemos em 2019 (antes da pandemia), 5 milhões de pessoas em todos os parques. Nosso objetivo é impactar positivamente essa mensagem de sensibilidade, conservação e preservação de espécies e ambientes. A educação é a principal forma de fazer isso.

DIÁRIO – Estamos vivendo não só uma crise sanitária mundial, mas antes dela, uma crise ambiental. Qual é o papel do Grupo Cataratas nesse contexto? Como é o relacionamento do grupo com o governo, por exemplo?

Somos, por meio do BioParque, uma das instituições mundiais que participa da “Década da Restauração dos Ecossistemas”, período entre os anos de 2021 e 2030 anunciado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) como determinante para restaurar a biodiversidade. Em termos nacionais somos concessionários do ICMBio – o órgão do governo que nos chancela a concessão federal de seis parques. A relação é muito boa. Já que a concessão dos parques faz parte da política do governo e o turismo de natureza foi colocado como política do estado. Não só estadual, como federal também, uma agenda bastante positiva.

O turismo tem uma capacidade regenerativa muito grande, tudo vai retornar. Temos um potencial forte para nos prepararmos agora para colher frutos mais tarde. Essa crise sanitária criou uma oportunidade de vermos o nosso potencial. Temos um gigante nas mãos (se referindo ao Brasil) e entendo que o momento atual é muito favorável.

O BioParque tem um projeto de proteção aos guarás. “Queremos reintroduzir o guará na Bahia da Guanabara”, afirma Pablo (Crédito: Juan Carvalho)

DIÁRIO – Pablo, como vê a formação do brasileiro para essas questões de meio-ambiente, ecologia, sustentabilidade?

O ambiente, a natureza, a sustentabilidade são temas cada vez mais recorrentes na grande mídia e a consciência ecológica está mais latente que há duas décadas atrás, assim como os desafios. O papel dos parques nacionais é muito grande nessa conscientização ecológica, tanto coletiva como individual. E quanto mais essa agenda de abertura dos parques se amplia, mais a consciência se amplia também. O ano de 2020 poderá causar um atraso na educação formal, mas acho que a educação ambiental ganhou mais força ainda. As pessoas começaram a entender os efeitos nocivos do homem à natureza. A pandemia ajudou a entender o grau de dependência que o homem tem do meio ambiente.

DIÁRIO – Como o senhor vê a retomada definitiva do Turismo Brasileiro após a imunização total por meio da vacina?

Vamos ter dois momentos. O primeiro a gente vai ter um aquecimento do mercado interno, com o turismo de natureza e as viagens internacionais vão ficar para um segundo momento. O Brasil tem potencial enorme para se alavancar por duas questões:  Primeiro porque o nossa balança comercial do turismo é negativa. Mais brasileiros sempre viajaram para fora do que estrangeiros vieram para cá.

Nós podemos nos posicionar e nos colocar como um grande player de turismo de natureza. Preparando a casa. Nunca tivemos uma oportunidade como essa. Mesmo o ambiente de negócio ainda não ser o ideal, o brasileiro é um grande empreendedor.

FONTE: https://diariodoturismo.com.br/pablo-morbis-ceo-do-grupo-cataratas-consciencia-ambiental-cresceu-na-pandemia/